A
primeira cena passa-se no cemitério antes da introdução. Vêem-se as mãos de
alguém que pousam uma flor/ ramo de flores numa campa, no entanto o espectador
não sabe a quem pertencem as mãos e poderá pensar que se trata da campa de
João, namorado de Maria.
Posteriormente, inicia-se a introdução onde várias fotografias aparecem
com o intuito de mostrar a vida de Maria e do seu “falecido” namorado, a
infância de cada e as suas realidades recentes. Apresentamos a vida de Maria como
sendo uma vida de excessos. Levamos o espectador a pensar que se encontra nesta
situação para se consolar em relação à morte do namorado.
Numa
chegada a casa tardia, Maria, que foi sair, encontra a mãe inquieta à sua
espera na sala. Esta chama-a e tem uma conversa seria com a filha chamando-a à
atenção sobre a difícil fase que esta está a atravessar. Damos a entender que a
mãe está a falar sobre a "morte" do seu namorado. Porém, a conversa
que estas têm é relativa à doença da qual Maria sofre. No dia seguinte de
manhã, pressionada por saber que lhe restam apenas 3 meses de vida e
desorientada pelo rumo que leva, começa a pensar sobre a sua vida e de como
há-de aproveita-la. Por isso, começa a arrumar várias coisas suas dentro de uma
mala de viajem e vai-se embora de casa com o intuito de encontrar a sua paz
interior.
Abandona a família, os amigos, a vida social, a escola e especialmente o
namorado (apesar do espectador não o saber – pensando que este se encontra
morto), para que estes não sofram após a sua própria morte.
Maria
chega então a Vila da Ericeira. Sai do autocarro que a levou até lá e dirige-se
para a sua casa de férias onde passou, juntamente com a sua família, férias
durante a sua infância. Quando entra, vê como a casa está desarrumada e suja.
Decide então limpar a sala.
Nos
dias seguintes à sua chegada, começa a encontrar na praia o que procurava. O
barulho das ondas, a presença das gaivotas, a liberdade, a leitura, o encanto
do pôr-do-sol, as noites primaveris, a pintura, a esplanada à beira-mar, a
música… Serão estes os elementos cruciais para encontrar o seu equilíbrio e a
aceitação perante a morte, sentindo-se livre e bem consigo mesma como nunca
antes sentira.
Nesta situação, Maria percebe que precisa de
se libertar e começa a escrever cartas, na habitual esplanada onde costuma
estar. Utiliza-as como um diário exprimindo os seus sentimentos, não na
esperança de que as suas cartas fossem respondidas mas simplesmente tentando
expulsar os seus “fantasmas”. Acaba por deixar a primeira carta debaixo do
café, arruma as coisas e vai-se embora.
No dia
seguinte, voltando à esplanada do costume e sentando-se no seu lugar de
preferência, acaba por receber do empregado uma carta anónima de resposta à sua
– alguém terá encontrado a sua carta e respondido, dando a carta-resposta ao
empregado para lhe entregar no dia seguinte.
Espantada com o acontecimento, Maria acaba por responder também à carta
do seu correspondente misterioso. Após alguns dias onde várias cartas são
trocadas entre Maria e o anónimo, ela acaba por se despedir. Damos a entender
aos espectadores que Maria se sente finalmente restabelecida e que se despede e
agradece o apoio do “desconhecido” que a tem ajudado a ultrapassar o seu
desgosto. Mas a realidade é que o correspondente não é um estranho como esta
pensara, trata-se de João, o seu namorado que, não encontrando outra maneira de
a apoiar (sendo que Maria se isolou propositadamente, desejando afastar-se do
namorado e de todos), fê-lo nas cartas.
Vê-se
Maria a andar pelas rochas e essa é a última vez que se vê a personagem, é o
seu final.
Morre
alguns dias depois. O espectador é enganado na medida em que pensa que João
está morto desde o início da trama sendo confrontado com o final inesperado da
morte de Maria. João tem estado sempre presente e a tragédia só se dá no final
quando este aparece, pondo uma flor na campa da amada e a última carta que esta
nunca chegou a ler.
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