Oficina de Artes

Projecto Final - "O MEDO"


Como último projecto de Oficina de Artes deste ano, a professora deu-nos várias imagens e pediu-nos para que, em pouco tempo, escrevêssemos algo acerca delas. Tanto podia ser um poema, como um texto, umas frases, etc. 
Qual o propósito disto? 
No final, escolhíamos uma das imagens, aquela que gostássemos mais ou aquela que preferíamos abordar, e juntamente com o que tínhamos escrito criávamos algo. O projecto teria obrigatoriamente de ter duas vertentes, uma audiovisual e outra podia ser a nossa escolha (uma instalação, uma pintura, uma escultura…).
No início, deparei-me com algumas dificuldades sobre aquilo que deveria fazer e que tema abordar. Não sabia ao certo qual a imagem que mais me interessava. 
Mas no fim de várias semanas de reflexão e após uma conversa com a minha professora, cheguei finalmente a uma conclusão: o meu tema iria ser o medo. 
Mas não um medo qualquer. Iria explorar os medos mais profundos, como aqueles que nos prendem psicologicamente, que não nos deixam olhar para lá daquilo que vemos. 
O medo que não nos permite achar soluções para problemas que temos na vida ou enfrentar outros medos mais superficiais.
Era este o tema que queria explorar, mas como? 
Teria de encontrar uma maneira de conciliar um objecto com uma parte audiovisual e mostrar aquilo que pretendia, mas como faria isso se o meu tema é algo que não é possível ver ou tocar?

Foi então que comecei a pensar e investigar. Como representar um medo tão específico? 
Encontrei assim uma forma de o fazer:
parte audiovisual - O MEDO
e
objecto - 














O que representam?

O vídeo demonstra através da personagem principal o tal medo de não conseguirmos arranjar soluções para os nossos problemas e de andar constantemente "à volta" do mesmo problema nunca conseguindo ultrapassá-lo. A rapariga do filme está assustada com o facto de ir ter sempre à mesma casa, não porque a casa a assusta ou representa algo de mal, mas porque é um local que a rapariga não consegue evitar e fugir. No fim do filme, vê-se que passaram anos e só quando já é uma adulta é que se consegue libertar! 

O objecto representa todos aqueles que estão presos dentro de si próprios, dentro de uma "caixa", presos no medo, tal como a rapariga do filme. As mãos são sombras de pessoas desesperadas por sair. No entanto são só sombras dessas pessoas, porque na realidade fisicamente elas nunca conseguem sair para fora da caixa. 

É este o meu projecto final de OFA, espero que o apreciei !


Interpretação de Imagens



Imagem 1

Andrea Galvani 2001 "The inteligence of Evil"



Na clareza da luz, a tua chama destaca-se. A tua depressão faz com que te desvaneças numa sociedade onde a maioria pensa como tu. Porquê pensar assim?
Não penses tão escuro, não vivas tão pesadamente.


Imagem 2

Cornelia Parkers


“Nós” é o título de um amor que não morre.
É a história de uma paixão,
De um beijo, um toque, uma cumplicidade.
Escondemo-nos para que o fim não nos encontre,
Fugimos ao futuro porque tememos a separação…

Mas porquê negar o fim?
Um dia, quando olhar para ti e o meu amor não se reflectir nos teus olhos
Sei que terminou a nossa paixão.
Mas não a vou temer como dantes
Pois também sei que não terminou a nossa história.
Essa terá lugar no meu coração,
Para sempre.



Imagem 3


Miranda Lichtenstein "Floater"


Ilusão. É a palavra que te define melhor. Quando olhei para ti pela primeira vez, nada mais vi senão a transparência do teu corpo e a falta da tua alma. Passados que ocultas à espera que desapareçam, futuros que anseias para vingares na vida de uma forma suja. 
Não a maneira de seguires em frente sem esquecer o passado? O mal que queres fazer aqueles que já te magoaram está, na realidade, a prejudicar-te a ti. Estás a perder a tua identidade. Estás a deixar transparecer algo que sei que não és.



Imagem 4

Noé Sendas

Bons olhos te vejam cara amiga!
Sim, estes olhos que bem velhos são
Ainda vêem qualquer coisa...
E como bem sabes,
Tu por mim nunca passaste despercebida.
Lembro-me quando éramos irmãs!
À quanto tempo isso foi,
Estava eu na minha adolescência,
Agora faz as contas...
Cada dia que passa dou pela tua falta,
Mas na verdade a nossa outra irmã,
A Velhice,
Também me dá algumas regalias.
Menos estas rugas, grandes chatas!

Ah! Que bons tempos aqueles em que éramos aliadas...
Bons olhos te vejam Juventude!




Imagem 5


Gregor Scheinder

Buraco. Banheira. Sujo. Nazi.


Imagem 6




Man Ray 1920 Enigma of Isidore Ducasse



Imagem 7



Jean- Christophe de Clercq "Dessin"


Maquete Final - "Quarto" René Magritte













Finalmente o projecto final inspirado no quarto de René Magritte, realizado por mim na disciplina de desenho. Para que seja possível entender com clareza tudo o que está na maquete, terei de apresentar um pouco da vida e do trabalho deste artista...


"René Magritte nasceu em Lessines, na provícia de Hainaut, Bélgica, no dia 21 de Novembro de 1889. Pouco se sabe acerca da sua infância. Em 1912, viveu a tragédia da morte da sua mãe, Regina, que cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo de sua mãe foi retirado das águas do rio.
Em 1916, ingressou na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou durante dois anos. Foi durante esse período que conheceu Georgette Berger, com quem se casou em 1922 e passou o resto da sua vida. 
Trabalhou numa fábrica de papel de Parede e foi designer de cartazes e anúncios até 1926, altura em que lhe surgiu um contrato com a Galerie la Centaure, na capital belga, fez da pintura sua principal actividade. Nesse mesmo ano, Magritte produziu a sua primeira pintura surrealista, "Le jockey perdu", tendo sua primeira exposição apresentada no ano seguinte.
René Magritte praticava o surrealismo realista, ou “realismo mágico”. Começou a imitar a vanguarda, mas precisava realmente de uma linguagem mais poética e viu-se influenciado pela pintura metafísica de Giorgio de Chirico.
Mudou-se para Paris em 1927, onde se começou a envolver em actividades do grupo surrealista, tornando-se grande amigo dos poetas André Breton e Paul Éluard e do pintor Marcel Duchamp.
Quando a Galerie la Centaure fechou e o seu contrato acabou, Magritte retornou a Bruxelas. Permaneceu na cidade mesmo durante a ocupação alemã, na Segunda Guerra Mundial.
O seu trabalho foi exposto em 1936 na cidade de Nova York, Estados Unidos, e em duas outras exposições retrospectivas nessa mesma cidade, uma no Museu de Arte Moderna, em 1965, e outra no Metropolitan Museum of Art, em 1992.
Magritte faleceu de cancro no pâncreas em 1967. O seu corpo jaz na capital belga, no cemitério de Schaerbeek."

(Este excerto foi retirado da Wikipedia)

Assim, já posso explicar e esclarecer o "porquê?" de todos os simbolismos deste trabalho:

- as frases tem como objectivo representar um pouco da vida pessoal deste artista que, na minha opinião, são dos aspectos mais importantes e determinantes em todo o seu trabalho. "Georgette, mon amour, ma muse..." (Georgette, meu amor, minha musa) e "Que le Sambre te garde pour toujours Maman..." (Que o Sambre te guarde para sempre Mamã) estão associados as duas mulheres mais importantes na vida dele. Georgette por ter sido a sua companheira desde sempre e que acredito ter sido uma das maiores inspirações e, até mesmo, modelo para alguns dos seus quadros onde o corpo feminino é o tema principal. E a sua mãe, por ter cometido o suícido no rio Sambre, momento que marcou a vida do artista e que possivelmente serviu de fonte de reflexão e inspiração para alguns dos seus trabalhos;

- "Rien n'est réel, Rien n'est ce qu'il parait..." (Nada é real, Nada é o que parece) é a frase principal do trabalho e que nos leva a associá-lo imediatamente a Magritte. Alguns dos seus trabalhos mais famosos, como "The Treachery of Images", têm uma frase escrita muito idêntica a esta. Embora tenha sido escrita e inventada por mim, esta frase leva-nos a interpretar o trabalho como Magritte pretendia que as suas pinturas fossem interpretadas: que apesar do que estava representado fosse um cachimbo ou uma maçã, aquilo na verdade não era o que estava representado;

- a maçã não tem um significado tão especial como o resto, embora seja um ícone do trabalho deste artista e que permite uma rápida associação sem deixar qualquer dúvida de quem se trata;

- e, por fim, o céu representa a liberdade, o sonho, a vontade de alargar os nossos horizontes a novas experiências, hipóteses, de estar sempre a querer saber mais e alcançar mais... Penso que René Magritte era, não só um grande artista surrealista que conseguiu deixar a sua marca, como também era um homem com um visão do mundo mais vasta e sonhadora. Conseguia expor os seus sentimentos e sonhos na tela com clareza e de forma a que o público os compreendesse retirando uma conclusão individual e despertando sempre o interesse, até dos menos interessados.

Decidi fazer uma maquete porque nunca me tinham proposto tal projecto, achei muito interessante e sobretudo gratificante por poder realizar a minha primeira maquete sobre um dos meus artistas preferidos.


Escultura












Esta escultura foi feita em gesso, é o busto de um homem, salpicado em tons de azul e grená. O seu lábio está propositadamente mais elevado num dos lados tal como a sua sobrancelha para lhe atribuir um aspecto mais atrevido. 
Tive imens
o gosto em participar neste projecto e principalmente de ter optado por realizá-lo em gesso em vez de qualquer outro material, pois nunca o tinha trabalhado antes.



Transfiguração










"Transfiguração" foi o título atribuído ao primeiro trabalho desta disciplina, cujo o nome é o deste blogue para o qual escrevo, e, que na minha opinião, resultou bastante bem em diversos aspectos. 
O objectivo era conseguirmos libertar-nos de tudo o que tínhamos aprendido e estávamos acostumados a pôr em prática nas outras disciplinas, como desenho, experimentando novas técnicas e materiais, de modo a conhecer o desconhecido, aquilo que nunca tivemos a oportunidade de exercer ou desejávamos trabalhar.
Para isso, tínhamos de ter fotografias do nosso busto, a preto e branco, em papel A4, diversos materiais e bastante imaginação. 
Utilizei materiais como acrílicos, tintas para paredes, diluentes, brilhantes, vernizes, lápis de cor, sacos de plástico, cartão e até mesmo uma caixa. Usei técnicas como amachucar a folha, dobrei-a de modo a fazer um leque, colei fotografias sobre a fotografia principal, pintei por cima, salpiquei, esburaquei, colei-a sobre cartão e cortei....
Foram várias as formas que trabalhei as minhas fotos e os materiais que arranjei. No geral, fiquei bastante satisfeita com o que consegui alcançar, embora só tenha realizado sete trabalhos. Mas considero que o mais importante nem sempre é o número mas sim a qualidade.















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